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sábado, 24 de julho de 2010

HERESIA




O escritório de Advocacia, não tem luxo, mas é um lugar muito aconchegante. A janela tem cortinas sóbrias, e os móveis não são convencionais. A advogada está sentada frente à tela do computador redigindo uma petição inicial, aguardando o próximo cliente, pensativa toma um cafezinho e reflete sobre sua carreira, afinal as criticas aos advogados costumam ser ferrenhas. As piadinhas então são um sucesso. Mas na prática é uma profissão árdua, talvez mais que muitas outras. O Fórum não funciona plenamente na parte da manhã, data vênia, livres de piadas e críticas os promotores e juízes têm um labor mais tranqüilo. Em contrapartida os Escritórios de Advocacia no horário matinal trabalham a todo vapor. E muitas vezes os profissionais liberais escolhem menos que são escolhidos, haja vista a enorme possibilidade de escolhas por parte dos clientes. Em certa cidade do interior, que possui uma praça central arborizada se comenta com certo ar de gozação que se atirar para cima caem dez pardais dos galhos da árvore e cem advogados juntos. A causídica chega cedo a seu local de trabalho, pois a manhã voa e muitas vezes o almoço é substituído por um lanche rápido porque partir do meio dia que são marcadas as audiências, algumas conciliatórias, outras “brigatórias” sem possibilidade de acordo. Ela arruma os documentos na pasta, passa a mão nas petições a ser protocoladas e lá vai a doutora para mais uma via crucis no Palácio da Justiça, deduzindo que o cumprimento da pauta seria rápido e quiçá eficaz, pois vale mais um bom acordo que uma boa demanda. Sempre andando rápido, formulando mentalmente as perguntas e imaginando argumentos, nem mesmo o sol escaldante, ou os outros transeuntes tinham o poder de lhe tirar a concentração. Ajeita os óculos, arruma os cabelos, veste a beca, cumprimenta os colegas no saguão, senta-se e aguarda a chamada pelo Oficial Porteiro. Analisa a cópia do processo. Remexe os arquivos mentais, não se recorda quem é o cliente. Lembra-se bem que não recebeu os honorários ainda, mas isso não vem ao caso, o importante agora é defendê- lo da melhor maneira. O burburinho de gente, em nada atrapalha, ela já está acostumada a pensar em meio ao barulho. Começa a convocação das partes, entram todos para a sala, onde está sentado em destaque o magistrado, ao seu lado o escrivão que digita a ata da audiência, do outro lado o promotor de justiça. Na mesa larga e comprida reservada para as partes, senta-se de um lado a parte contrária representada pela autora da ação e seu procurador. De outro a advogada e o seu deslembrado cliente. O juiz inicia a audiência perguntando se há acordo entre as partes. Ninguém se manifesta. A parte adversa retruca:

- seu juiz ele sumiu com a escritura da casa. Num muxoxo a mulher aguarda a palavra do meritíssimo, que se dirige à advogada:

- Dra. Pergunte ao seu cliente pelos documentos do imóvel. (Minutos antes, ela prevenida instruiu o seu cliente para responder apenas o que o juiz perguntasse sem rodeios e alertou o mesmo de que não poderia pedir o auxílio dela, advogada para responder as perguntas que lhe são dirigidas). Antes mesmo de qualquer manifestação por parte de sua procuradora, o homem diz em alto e bom som, com uma voz meio bêbeda:

- Doutô eu fumei os documento. O Juiz incrédulo pergunta:

- O senhor fumou a escritura?

- Fumei sim sinhô... E os caderno das criança tamém. (Abaixa a cabeça)

O juiz indaga:

- Como assim? O senhor diz que fumou a escritura da casa, e todos os cadernos de seus filhos?

- Ainda de cabeça baixa, o inquirido responde:

- Sim sinhô!

A ex mulher, do outro lado da mesa resmunga:

- E a minha bíblia também, Seu juiz!

O juiz já bastante espantado:

- A bíblia? Mas o senhor fumou a bíblia toda?

- A bíblia toda não doutô, que a capa era dura!

Depois dessa, melhor a ilustre advogada tirar o resto da tarde de folga.

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