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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ABANTESMA



ABANTESMA

O milharal recende seu aroma por toda a moradia. A plantação começa desde a porta da cozinha. É uma cerca viva que impede a visão da porteira da fazenda, que fica a alguns metros de distancia da casa. Ali corre uma água fresca vinda da mina, a bica d’água tem som de paz. O líquido abençoado é canalizado naturalmente e represado num tronco de madeira escavada, que serve para lavar as louças e utensílios da cozinha. Tudo muito rudimentar.
Meu tio Alfredo, mora só. Não tem boa reputação nas redondezas, por causa de sua fama de matador profissional. É o único irmão de meu avô e quando os pais morreram, ficou morando na propriedade rural da família, cuidando do gado e da plantação. Nunca se casou, ficava um tempo “sumido”, e corria o boato que se afastava para executar o outro tipo de serviço encomendado por alguém ansioso em se desfazer de algum desafeto. Comentavam as más línguas que ele havia silenciado dezenas de homens e com o dinheiro angariado comprou ouro e enterrou em algum lugar da fazenda. No pequeno vilarejo próximo as terras de meu tio se ouvem falatórios e mexericos sobre ele dizendo que se aposentara porque matou um homem por engano e desde então tornou- se mais arredio e cismado; outros diziam que aquietara porque já estava velho e muito rico. Ainda hoje não sei se havia alguma verdade nas historias que contavam sobre ele, ou se os boatos não passavam de mera especulação.
Alfredo é um homem rústico que vive sua vida de solidão nesse rincão tranqüilo. Enamorado da lua que enche os olhos e o coração de inspiração poética, e em qualquer fase é sua única companheira, embora distante e solitária, ao som de voz entoando cantigas de viola, baila no céu que na noite escura parece um tapete estrelado. O roceiro também admira o sol, tanto que acorda junto com ele, e banhado pelos primeiros raios do astro rei, se espreguiça e logo já está no terreiro pegando lenha para acender o fogão, então coa um café forte, que toma puro.
Segue rigorosamente seu labor cotidiano, dorme cedo, levanta com o sol, toma o gole de café que ele mesmo planta, colhe e torra, em seguida sela o cavalo, põe o inseparável chapéu sobre a cabeleira grisalha e vai bater pasto. Por volta das 10 horas, ele retorna e prepara seu almoço, depois descansa um pouco deitado no confortável sofá da sala, ouvindo seu velho radio, sintonizado sempre na freqüência AM.
Certo dia, Alfredo chega do roçado e como sempre lava o rosto e vai no quintal buscar uns paus de lenha para reavivar a chama do fogão e preparar seu almoço quando ouve um barulho, mas o milharal está quieto, deduz então que deve ser o cachorro, que de tão velho e manso não late mais. Acende o fogo, pega água na bica, enche a panela e deixa sobre a chapa, em seguida apanha algumas espigas de milho dos pés próximos a casa, retira as folhas, sente o cheiro apetitoso dos grãos, o milho verde dá água na boca.
Quando retorna, adentrando a porta da cozinha, ouve alguém chama- lo pelo nome e ao virar- se o pistoleiro descarrega a arma sem piedade.
Na cozinha a panela ferve no fogão sobre a lenha crepitante, no quintal as espigas se esparramam misturadas na poça de sangue.
Meu pai é o único herdeiro, recebe a noticia da morte e da herança. Formalizado o formal de partilha, meus pais decidem passar uns dias na fazenda, ver de perto em que pé estão as coisas por lá ...

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