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sábado, 10 de julho de 2010

MISTÉRIOS DA VIDA E DA MORTE



O homem de barba grossa e grisalha passa uma boa parte do tempo sentado no banco de madeira, sob uma frondosa árvore, em frente de casa.
A aposentadoria lhe fez bem, aliás, muito merecida, pois trabalhava desde os doze anos de idade. Sobra-lhe tempo para viver de lembranças, algumas boas e próximas, outras nem tanto.
Ali, sentado sozinho, sentindo o vento com cheiro de flor tocar sua pele, sua memória o leva para o passado, relembra fatos de sua adolescência, perdera a mãe ainda criança, o pai buscara outros caminhos e ele ficara à mercê do destino mas tinha têmpera, possui boa índole, e hoje ainda crê que a mãe cuida dele lá da Eternidade. Nesse instante desliga- se do presente e vive das recordações pretéritas de seu avô paterno. Um senhor muito distinto que usava chapéu Panamá. Tornara- se um hábito desde que aprendera se virar sozinho passar as férias na companhia do amado avô que o chama somente de Menino.
Quando estava com quinze anos, aproveitando os dias de folga foi visita- lo como de costume, e quis surpreende- lo, nunca usara chapéu, mas no percurso da viagem entrou numa loja e escolheu um bem interessante e comprou.
Riu sozinho de seu intento, sabia o que estava fazendo. Estava sendo esperado, não pegaria ninguém de surpresa, mas quando chegou notou que o bom velho ficou muito impressionado e exclamou comovido:
- Menino, ‘és’ um homem agora, ‘estás’ usando chapéu! Sorriu e abraçou efusivamente o jovem.
Aqueles foram dias de alegria, se fartando com as comidas preferidas, ouvindo histórias e curtindo um lar de verdade, ali sentia- se sempre criança, não se imaginava sem aquele aconchego. Na despedida recebeu um abraço apertado e uma bênção:
 -Deus te abençoe Menino, que venham logo as próximas férias. E ‘tens’ muito bom gosto para chapéu. 
Porém, o que ocorreu alguns meses depois daquela estadia ainda hoje o incomoda e impressiona. Moravam distantes e as visitas não eram recíprocas, os avós não faziam longas viagens, e ele gozaria do merecido descanso anual somente dali a alguns meses. Uma noite o rapaz acordou assustado de madrugada, ouvindo a voz inconfundível daquele ancião que ele tanto amava:
- Menino, Menino, me ajude!  Ele pula da cama e chama pelo pai: 
– Pai o vovô está aqui, eu o ouvi me chamar.
O pai meio sonolento, diz que foi um sonho, pois não ouvira nada. Uma chuva fria caia lá fora. Com muito custo o jovem volta a dormir quando ouve a mesma voz sonora e aflita chamando por ele e com certeza precisando da sua ajuda.
- Socorro, Menino, me ajude,menino!
.... 

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Nívea Sabino- 10/07/2010

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