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domingo, 12 de dezembro de 2010

DREADLOCK E EU

Um dia crio coragem e faço Dreadlock...
Jogo uma mochila nas costas
Contendo uma barraca que
Caberá tão somente Dreadlock e eu...

Vamos conhecer todas as praias,
Ver o encontro das águas do rio com o mar,
Terras distantes a nos esperar
Vamos de carona...

Alimento não nos fará falta,
Venderemos histórias em troca de suprimento...
Cansei de desejar, cansei de sonhar...
Quero viver a realidade Dreadlock  e EU....









Nivea Sabino

O gato

O gato atravessando a rua, em pensamento voltei no tempo...
Uma saudade da Salomé!
A morte é assim, um baque ou um toque sutil de veneno.
Nivea Sabino

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A CASINHA DA RUA AVARÉ






É noite de lua cheia, a rua está clara. Sandra, José Augusto, Álvaro, Maria Emilia e Miguel, gostam de ficar na porta da casa de Zé Augusto ouvindo as histórias de assombração que ele é exímio em contar. Mas de vez em quando ele conta umas histórias reais com personagens que viveram e respiravam como todos nós.
Algumas dessas histórias ele repete sem cansar, e todos os amigos ouvintes também não se cansam de ouvir. Um exemplo de casos assim é o da Casinha da Rua Avaré.
Zé Augusto conta que a casinha branca abandonada cuja linda construção o tempo está dilapidando aos poucos, em época remota possuía um alpendre acolhedor com lugar para sentar- se e ver o por do sol, encher a visão dos últimos raios do astro rei sobre o jardinzinho ornado de lindas flores e de um gramado verde e bem cuidado.
A casa fora construída para abrigar um jovem casal, Maria das Dores e Ernesto. Casaram- se com o firme propósito de ter uma família.
- Quero muito uma filha para me fazer companhia. Vou ensina- la costurar e bordar então será muito prendada.
Ernesto ria e dizia:
- Que nada, teremos somente filhos machos, pois tanto na sua família quanto na minha os homens são maioria.
Das Dores sorria um sorriso triste, com medo das previsões do marido.
Dois anos de casados e tiveram o primeiro filho. Nascera um menino, mas nascera com problemas no coração e viveu poucas horas. A dor que aquela mulher sentiu faz jus ao seu nome. Passaram- se mais de três anos e nada de gravidez outra vez. Das dores sofre, pois sonha com a filha que herdará seu legado. Ernesto dá menos importância a isso, parece que o pai ama menos os filhos que a mãe. Quando Maria das Dores está com 38 anos, e já nem pensa em ter mais filhos, tem uma grata surpresa. Amanhece com enjôos matinais, não suporta certos odores e uma fome de loba passa a fazer parte de seu cotidiano. O marido lhe diz:
- 'Das dor', minha querida, melhor você ir ao médico, estou achando você inchada, até sua boca está vultuosa. Receio que seja algum problema renal.
Ela fora consultar- se e volta para casa com a novidade, está grávida.Fez o pré natal com exames preliminares, até um tipo de ultrassom que estuda o coração e outros órgãos do bebe ainda no ventre materno ela fez.
E nove meses depois nasce a filha tão esperada, tão aguardada quanto a fortuna pelo desvalido.
O casal fica muito feliz. A casinha branca de belo jardim é reformada, a filha chega ao lar que está cheio de luz e de paz.
Quando a menina Clarice, estava com cinco anos de idade, Ernesto sofre um infarto e morre a caminho do hospital.
A linda casinha entristeceu- se mais uma vez. Ficaram Clarice e Das Dores vivendo ali, uma cheia de vontades satisfeitas e coberta de mimos, outra vivendo de lembranças, de saudades e de sonhos de ver a filha progredir aprendendo como ser uma boa mãe e ótima dona de casa, esse é o legado que ela tanto fala e pretende deixar para a filha.
Mas a vida tem dessas coisas, disse Zé Augusto enquanto contava a história, e presenciava algumas lágrimas nos cantos dos olhos das meninas que o ouviam, a filha Clarice está crescendo, embora a mãe zelasse por sua conduta, de menina desobediente passou a ser uma adolescente rebelde.
Maria das Dores sente o peso da idade aumentando, está com mais de cinqüenta anos e tenta enfiar na cabeça da filha um pouco de juízo. Jamais quisera sentar- se frente a maquina de costura, quando o assunto era o bordado então ela dizia:
- Isso é um saco! Já disse que não quero aprender.
-Se é assim, você tem que estudar minha filha! Diz a mãe desolada.
A resposta é sempre a mesma:
- Ah, mãe não enche.
Por fim o mais desagradável acontece, a moça está namorando um rapaz muito mal visto nas vizinhanças. Irresponsável, não gosta de trabalhar e tem fama de baderneiro, não estuda e fica na rua perambulando sem interesse em nada. Clarice não ouve os apelos da mãe.
Quando faz uns seis meses que ela está com o tal rapaz, chega em casa e diz para a mãe que está grávida.
- Como grávida, Clarice. É o cúmulo da irresponsabilidade, filha. Você não estuda, não trabalha e ele também não. Pior ele gosta de ser vagabundo. E agora?
Zé Augusto conta que a noite nesse dia estava radiante, as estrelas pareciam um tapete no céu, cheio de pontinhos brilhantes, mas das Dores que adorava ficar apreciando a noite sentada no aconchegante jardim, dessa vez não sente nenhuma vontade de apreciar a natureza.
Ela discute com a filha.
- Mãe estou grávida de quase cinco meses, não posso tirar esse filho agora.
-Minha filha, aborto, nem pensar. Você precisa agora criar juízo, responsabilidade para educar esse ser que vai chegar. Você agora é mãe, e o seu namorado precisa também arranjar trabalho. A moça começa a rir:
- Você ta doida mãe, você que tem que me ajudar com esse pirralho, o Wilson não tem nada a ver com isso ele odeia criança.
A mãe chorando responde, com um grande aperto no coração, mas pensando que a decisão dela fará a filha mudar de vida:
- Clarice, nunca disse não a você, e acho que errei mais que ajudei. Mas agora a minha decisão está tomada, não vou ajudar você com essa criança.
Deus me deu somente uma filha, você, que não supriu minhas expectativas. Não ajudo você com mais nada, muito menos com seu filho.
Nesse momento a jovem tem uma crise, chora e grita,  dizendo para a mãe:
- Vou me matar, assim você fica livre de mim para sempre.
A mãe arrependida sai correndo atrás da filha dizendo:
- Volte Clarice, não faça isso, eu cuido do bebe, como cuidei de você. Volte eu amo você e meu neto, volte filha!
Mas a moça, não deu ouvido às palavras da mãe e saiu correndo de dentro da linda casinha branca em direção à rua. Vem vindo um automóvel, em velocidade regular, o motorista está atento, mas não tem tempo de desviar da mulher que aparece de repente na frente do carro...



QUER SABER O FINAL DESTA HISTÓRIA? PEÇA O MEU LIVRO ABANTESMA- CONTOS NATURAIS E SOBRENATURAIS PELO EMAIL

niveaveiga@hotmail.com

                                  E BOA LEITURA!


Nívea  Sabino


ABANTESMA CONTOS NATURAIS E SOBRENATURAIS

“Quando tudo parece sem saída sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo.” (Caio Fernando Abreu)





SINOPSE
“ABANTESMA” é um convite ao leitor para rir, chorar, meditar, com os diferentes personagens e situações diversas.  Os contos retratam o cotidiano e sequer situações inusitadas.
Passamos a vida correndo de fantasmas e ao mesmo tempo nos confrontando com eles. O medo, no entanto não nos impede de sentirmos alegria nem de evitarmos as tristezas.
Afinal, o homem busca paz, amor, sucesso, dinheiro, fé, esperança, durante sua jornada na Terra. Na maioria das vezes não encontra nada do que procura, mas pode encontrar também o que nunca buscou. Dizem que é no silencio da noite que o natural e o sobrenatural se misturam.
A vida tem segredos que talvez jamais sejam revelados e a morte tem seus mistérios insondáveis. O cotidiano, as mudanças, sonhos desfeitos, a vida e a morte envolvidas em circunstâncias naturais e sobrenaturais.   


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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DOR DE MÃE ( Conto Minimalista)



Dia de sol. O passarinho se lança da segurança do ninho para o primeiro voo. O gato felinamente preparado acompanha a trajetória. O filhote vira petisco. A mãe grita desesperada em cima do muro, acompanhada de um bando de pardais gritantes. Eles se vão, ela fica só, ainda piando alto. Será a dor dela  do tamanho da minha?


Nívea Sabino

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A BUSCA



Cabelos desgrenhados, corpo franzino, a pele clara e enrugada queimada pelo sol do dia e ressecada pelo frio das noites passadas ao relento. Não existe mais beleza no mundo para ela.
Mas nem sempre fora assim, sua infância transcorreu feliz na provinciana cidade do interior mineiro, aproveitou bem a adolescência, na juventude enfrentou a universidade com louvor, foi quando conheceu o amor. Enamorou- se dele e o amor deu frutos, não cem por um, mas de dois em dois, de um em um. Por breves quarenta anos ela seguiu o amor, por muitas estradas, bifurcações, terrenos arenosos e pedregosos, andou por terra, sobre a água, voou no ar, acompanhando – o sequer por caminhos de luz e paz. Foram tempos árduos, mas ao mesmo tempo abundante de felicidade. Construiu com o amor a casa sobre a rocha. Mas uma noite o amor se foi, assim de repente, dormiu tão sereno e partiu tão sorrateiramente. E ela que não aprendeu caminhar sem o amor de tantos anos, sente- se amputada, falta- lhe o pedaço mais precioso, seu coração partiu com o amor.
Mesmo acariciada e amada pelos frutos desse amor e pelos frutos dos frutos, desistiu de viver aquela vida plena que rescendia o cheiro amoroso de mãe e avó.
Surtou, foi viver pelas ruas, sem destino certo, sem parada. Nos seus gestos tresloucados quer apenas expressar sua dor, entre a calma e a pausa do sono, lá no intimo de sua alma, nos sonhos está aquele a quem busca. Nessas breves horas de lucidez ela pede aos Céus que abrevie seus dias, ela tem pressa de Reencontrar o amor de sua juventude e com ele em outra dimensão recuperar a serenidade perdida.

Nívea Sabino

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